Quase radical, rúgbi em cadeiras de rodas faz sucesso no Parapan de Toronto

Por Alessandro Lucchetti - iG São Paulo |

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Praticado por verdadeiros gladiadores sobre rodas, modalidade criada no Canadá nos anos 70 atrai público, que vibra com choques entre as cadeiras e requer mecânicos especializados

Canadenses Fabien Lavoie (dir) e Jason Crone bloqueiam o colombiano Edgar Vanegas Cardona
Frank Gunn/The Canadian Press via AP
Canadenses Fabien Lavoie (dir) e Jason Crone bloqueiam o colombiano Edgar Vanegas Cardona


O Parapan não está sendo um sucesso de público. O rúgbi em cadeira de rodas, que faz sua estreia na programação no evento em Toronto, é uma exceção nesse cenário. E não é difícil entender os motivos. Disputado por jogadores que se transformam em verdadeiros gladiadores sobre rodas, o esporte é quase uma modalidade radical, pontuada pelo som metálico das pancadas. Derrubar o adversário no chão é permitido - esse recurso equivale ao "tackle" do rúgbi convencional. O expediente é saudado pelo público, que se levanta nesses momentos.

A popularidade em Toronto é bem compreensível também por fatores geográficos. O esporte foi criado em solo canadense, em Winnipeg, na década de 70, e é muito procurado por paratletas por ser bastante inclusivo. Diferente do basquete sobre cadeira de rodas, que exige algumas habilidades específicas, o rúgbi contempla atletas tetraplégicos. O Canadá é uma das três potências internacionais, ao lado dos EUA e da Austrália. Dessa forma, o Brasil, que nunca participou de uma Paralimpíada nesse esporte, deve se dar por satisfeito se conquistar o bronze. O rúgbi sobre cadeiras de rodas entrou como modalidade de exibição na Paralimpíada de Atlanta, em 96, e introduzido na programação, valendo medalha, em Sydney-2000.

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"O rúgbi em cadeira de rodas é um esporte novo no Brasil. Começou a ser praticado aqui por volta de 2007 ou 2008. Nos Estados Unidos e Canadá está mais bem enraizado", observa Marcel Cardoso Ferreira de Souza, jogador e presidente do Minas Quad Rugby. O pai dele, Joel Ferreira, é o mecânico da seleção brasileira, que está no Canadá.

O esporte ganhou impulso no país graças ao documentário Murderball, de 2005, vencedor do festival de Sundance daquele ano. O próprio Marcel se tornou praticante graças ao filme, responsável também por alterar a rotina de Joel, que começou como mecânico da cadeira do filho e se integrou ao estafe da seleção.

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Algumas regras, inspiradas no basquete, proporcionam dinamismo ao esporte. Cada jogada deve ser concluída em 40 segundos; se o jogador não optar pelo passe é necessário quicar a bola a cada dez segundos, e não é permitido voltar quadra. Do rúgbi foram incorporadas a forma de pontuar - passar da linha de fundo com a bola - e o tackle. É um jogo de contato, mas de contato entre as cadeiras, não entre jogadores. Por esse motivo, trata-se de uma modalidade mista, embora haja apenas uma em ação no Parapan, uma colombiana.

O papel do mecânico é importantíssimo. Frequentemente, são acionados para fazer rápidos pit stops na quadra. "As cadeiras têm pneus semelhantes aos de bicicleta. Então a câmara de ar pode furar. O pneu é material de responsabilidade do atleta. Cada um leva duas ou três para um jogo", diz Marcel. 

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Em competições internacionais grandes, há soldadores encarregados de fazer reparos nas cadeiras. No Brasil há um fabricante especializado, cujas cadeiras são vendidas a R$ 5 mil. "Mas a qualidade deixa a desejar. As melhores são importadas. Tem duas marcas principais, uma dos Estados Unidos e outra da Nova Zelândia. As cadeiras de alumínio saem por R$ 17 mil, e as de titânio, mais resistentes, custam R$ 20 mil", diz Marcel.

O Brasil venceu a Argentina com facilidade pela primeira fase. Foto: Fernando Maia/MPIX/CPBAlém da derrota, o jogador argentino acabou levando um tombo em quadra. Foto: Fernando Maia/MPIX/CPBOs brasileiros fazem campanha 50% com duas vitórias e duas derrotas. Foto: Fernando Maia/MPIX/CPBOs canadenses Fabien Lavoie (dir) e Jason Crone (esq) bloqueiam o colombiano Edgar Vanegas Cardona. Foto: Frank Gunn/The Canadian Press via APO colombiano Carlos Neme Montoya sofre queda em partida contra o Canadá. Foto: Frank Gunn/The Canadian Press via APO canadense Travis Murao disputa a posse de bola com o colombiano Jhon Orozco Nunez. Foto: Frank Gunn/The Canadian Press via AP


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